Ambiente e Conservação da Natureza
A avaliação estratégica realizada para este componente do Hypercluster da Economia do Mar, revelou uma atractividade baixa devida a um mercado pouco significativo e um potencial exportador reduzido, factores que, no entanto, podem vir a ser melhorados se for feita uma aposta nas áreas de negócio associadas à conservação da natureza.
Como principais propostas de acção, queremos referir as seguintes:
#1. Gestão integrada do Mar e das zonas costeiras
Adoptar, na gestão do espaço marinho e da zona costeira nacionais, dos seus recursos e das actividades económicas que lhe estão associadas uma abordagem de “gestão integrada”.
- Criação de um sistema integrado de recolha de dados, de gestão da informação e do conhecimento do ambiente marinho e das zonas costeiras e das actividades conexas;
- Inventariação dos recursos naturais, dos valores e da qualidade do meio marinho e zonas costeiras, definindo indicadores e metas de conservação, qualidade e uso sustentável;
- Levantamento e caracterização das actividades humanas (marítimas e terrestres) com impactos na conservação e uso sustentável do meio marinho e das zonas costeiras;
- Identificação e reforço dos recursos e da investigação científica e tecnológica que podem contribuir para a conservação e uso sustentável do meio marinho e das zonas costeiras;
- Identificação de unidades geográficas que permitam estabelecer estruturas de sub-sistemas regionais de gestão integrada;
- Definição de zonamentos de conservação e de utilização do património natural e cultural do ambiente marinho e zonas costeiras;
- Criação de um sistema de acompanhamento e avaliação do desempenho da gestão integrada do espaço marinho e zonas costeiras.
#2. Criação de uma “Rede de Áreas Protegidas Marinhas”
Aplicar ao espaço marítimo nacional o especificado na Estratégia da União Europeia para Proteger e Conservar o Meio Marinho, dando forma a uma “Rede de Áreas Protegidas Marinhas”.
- Aprofundar o conhecimento sobre os componentes do património natural e da biodiversidade ameaçados de extinção ou menos conhecidos e inventariar a sua distribuição;
- Definir as medidas de salvaguarda, gestão, recuperação ou valorização a aplicar;
- Assegurar medidas de protecção espacial que cubram a diversidade dos ecossistemas;
- Garantir formas de comunicação, participação dos interessados e sensibilização do público.
#3. Identificação e gestão do valor económico associado às áreas protegidas marinhas
Elaborar Planos de Negócios para as Áreas Protegidas Marinhas (APM), que deverá incluir, entre outros aspectos os seguintes:
- Um plano estratégico onde sejam identificados objectivos e metas de longo prazo;
- Identificação das necessidades de financiamento, de curto e longo prazo;
- Identificação dos bens e serviços ambientais prestados pela APM;
- Preparação de um plano de financiamento.
#4. Criação de programas lúdicos de educação ambiental
Tirar partido do enorme potencial de divulgação e sensibilização dos aquários, oceanários e museus do mar para promover a educação e a demonstração de sustentabilidade ambiental.
Esta acção implica ainda o seguinte:
- Aposta no planeamento de serviços para os visitantes;
- Realização de actividades de interpretação da fauna e flora em todos os seus contextos;
- Criação de redes de articulação entre aquários, oceanários e museus do mar;
- Tirar partido das colecções vivas para sensibilizar os visitantes para os cuidados animais, jardinagem e horticultura, design de instalações e gestão de tempos livres;
- Incluir os aquários, oceanários e museus do mar nos circuitos turísticos.
#5. Promoção da aplicação da inovação tecnológica à protecção do ambiente
Pretende-se impulsionar a investigação e inovação, designadamente nas áreas das tecnologias relacionadas com a comunicação, recolha e tratamento de informação, modelação, seguimento de fauna e da robótica subaquática.
Os objectivos passam por aumentar rápida e consistentemente o conhecimento do meio marinho, elaborar previsões através da modelação do funcionamento local e global dos oceanos, estudar a evolução de ecossistemas e migrações, bem como incrementar a vigilância, aumentando os meios e capacidade de observação e detecção.
#6. Criação de competências em engenharia ecológica
Pretende-se desenvolver competências de engenharia ecológica integradas nos cursos de engenharia do ambiente, biologia marinha e oceanografia, por forma a aumentar o conhecimento e a capacidade de intervenção em matérias relacionadas com:
- Recuperação de zonas húmidas;
- Renaturalização de áreas artificializadas;
- Alterações climáticas;
- Subida do nível do mar;
- Erosão costeira.

