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Energia, Minerais e Biotecnologia

 Hypercluster
Energia, Minerais e Biotecnologia

A necessidade crescente de energia, ao nível mundial, tem conduzido à procura, no mar, quer de novas formas de energia, quer de jazidas de combustíveis fósseis em águas cada vez mais profundas.

 

As energias renováveis do mar dão, por agora, uma resposta insignificante a essa necessidade. Por outro lado, a procura elevada de petróleo, no mercado global mas principalmente por parte dos EUA, da China e da Índia, fará aumentar as necessidades de energia em cerca de 50% no primeiro quartel deste século.

 

As descobertas já feitas de novas jazidas petrolíferas em África, mais as previsíveis, fazem desse continente um actor importante na produção mundial de petróleo, incluindo-se no lote de países com maior potencial de produção petrolífera os países lusófonos de Angola e S. Tomé e Príncipe.

 

Por outro lado, a estimativa do volume de gás metano existente sob a forma de hidratos em todo o mundo é muitas vezes superior ao volume total das reservas mundiais de petróleo (líquido e gasoso).

 

O fundo do mar, sobretudo nas zonas de encontro das grandes placas tectónicas, está a revelar potencialidades para exploração de metais raros e, principalmente, de produtos de biotecnologia.

Os recursos mencionados exigem o domínio de tecnologia avançada e de saber para se tornarem exploráveis. Torna-se necessário coligir toda a informação sobre os recursos minerais das nossas plataformas continentais, visando perspectivar o seu aproveitamento.

 

O petróleo, pelas razões apontadas anteriormente, pode apresentar dois tipos de oportunidades para Portugal: a exploração no nosso offshore e a participação nas actividades da zona petrolífera do “Atlântico Moreno”.

 

A diversidade de produtos de biotecnologia existentes nos fundos dos mares nacionais e o conhecimento obtido por sectores de excelência de algumas universidades e de centros de investigação, recomendam o estabelecimento de actividades industriais para processamento desses produtos.

 

O cultivo de algas para fins alimentares, cosmética, farmácia e, não menos importante, destinadas à redução de CO2 e NO2 com a adicional produção de combustíveis é de grande interesse para o nosso País, atendendo, para mais, às condições de temperatura e luminosidade prevalecentes.

 

#1. Definição de áreas com potencial de exploração energética e biotecnológica

Há que começar por definir as áreas com potencial de exploração energética e biotecnológica, tendo em conta, entre outros, os resultados do trabalho da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).

 

Deverá privilegiar-se uma atitude de levantamento dos recursos existentes, tendo em conta os parâmetros científicos utilizados, a nível internacional, na prospecção dos suportes geológicos marinhos, bem como as condições de viabilidade económica da respectiva exploração.

 

#2. Apoio à constituição de clusters industriais de biotecnologia marinha em ligação com os centros de investigação

Deverá ser coordenado o esforço de investigação científica desenvolvido nos diversos centros relacionados com a biotecnologia e naqueles que não sendo desta área desenvolvam projectos afins.

 

Visa-se, por um lado, uma coordenação de objectivos a atingir, nomeadamente daqueles que dependam de financiamentos públicos, e, por outro, constituir “clusters” de actividades industriais em torno dos centros de investigação científica de biotecnologia marinha.

 

Os actores mais relevantes a envolver são os centros de investigação do Estado e quem os superintende, assim como os centros privados que se queiram coordenar com o plano de acção nacional para o Hypercluster do Mar, investigadores, formadores e formados da Universidade.

 

#3. Promoção da exploração dos recursos energéticos fósseis das plataformas continentais

Promover o aceleramento da investigação sobre os recursos energéticos fósseis das plataformas continentais do País, incluindo os hidratos de metano, devendo contemplar as plataformas continentais das três parcelas do Território.

 

O objectivo é conhecer e poder estimar o real potencial do País em energias fósseis ao mesmo tempo que se exploram os recursos existentes.

 

O Governo tem um papel importante de influência sobre as concessionárias no sentido da aceleração da prospecção e promoção da investigação conducente ao conhecimento da realidade energética dos fundos marinhos, incluindo os hidrometanos.

 

#4. Promoção da exploração dos recursos energéticos renováveis nos locais de maior potencial

Promover a investigação e o desenvolvimento tecnológico continuados, conducentes ao aproveitamento da energia das ondas nos locais de maior potencial, ou seja, costa oeste do Continente, Açores e costa norte da Madeira.

 

O objectivo é desenvolver a técnica mais rentável para obter energias alternativas, nomeadamente da energia das ondas, aproveitando uma fonte de energia renovável de grande abundância e potencial nas nossas costas.

 

Esta proposta depende, naturalmente, do empenho do Governo, das empresas do sector da energia e dos centros de investigação.

 

#5. Qualificação de recursos humanos na área da prospecção e extracção de recursos

Deverá ainda apostar-se em formar pessoal nas técnicas de prospecção e extracção de recursos, nomeadamente do petróleo, envolvendo estabelecimentos de ensino superior nacionais e estrangeiros em colaboração com empresas da área do petróleo, tão cedo quanto possível.

 

Com isto, o País criará condições para dispor de recursos humanos qualificados para empregar em prospecção e exploração petrolífera no País e no eixo do Atlântico de língua portuguesa onde o envolvimento nacional acaba por ser encarado com naturalidade.

 

#6. Lançamento de programas de produção de algas para redução de CO2 e produção de biomassa

Lançar programas de produção de micro algas da família das cyanobactérias, como a Chlamydomonas reinhardti, para redução do anidrido carbónico e uso na produção de bio combustíveis.

 

A produção deverá ocorrer em locais bem iluminados e com temperatura moderada, para utilização em indústrias fortemente geradoras de CO2, como as cimenteiras, siderurgias, etc.