Energia Eólica em Portugal
Energia Eólica
O ponto de situação dos negócios de energia eólica em Portugal em 2026 reflete um setor em transição, marcado pelo abrandamento da nova capacidade em terra (onshore) e pela grande expectativa em torno do arranque dos leilões no mar (offshore).
Abaixo, detalho os principais pilares da situação atual:
1. Capacidade e Produção Atual
Portugal ultrapassou os 6,2 GW de capacidade instalada em 2024. Embora o ritmo de instalação de novos parques tenha abrandado face ao setor solar, a produção eólica continua a bater recordes devido a condições meteorológicas favoráveis:
Recorde de Produção: Em março de 2025, a produção eólica diária atingiu um máximo histórico de 112,4 GWh, abastecendo 56% do consumo nacional num único dia.
Peso no Mix: O vento garante atualmente mais de 25% a 28% do consumo elétrico anual.
Localização: A maior concentração de parques situa-se no Norte e Centro, com Viseu a liderar como o distrito com maior número de aerogeradores.
2. O Negócio de Repowering e Hibridização
Devido à escassez de novos terrenos e à idade dos parques existentes (cerca de 52% têm mais de 15 anos), o foco do negócio deslocou-se para:
Sobreequipamento e Reequipamento (Repowering): Substituir turbinas antigas por modelos mais potentes e eficientes. Em 2024, metade da nova capacidade instalada proveio destas intervenções em parques já existentes.
Parques Híbridos: A grande aposta atual é a combinação de eólica com solar no mesmo local. O Parque Eólico do Tâmega, promovido pela Iberdrola, será o maior de Portugal (274 MW) e destaca-se por esta tecnologia híbrida.
3. Eólica Offshore: A Próxima Fronteira
O grande salto no mercado é esperado com a energia eólica offshore (no mar), mas o processo tem sofrido atrasos:
Leilões: O governo aprovou o Plano de Afetação para Energias Renováveis Offshore (PAER) em 2025, definindo as áreas de exploração. Esperava-se que os leilões para 2 GW avançassem até ao final de 2025/início de 2026, mas o arranque tem "derrapado" devido à complexidade técnica e custos de ligação à rede.
Financiamento: O Estado português tem negociado parcerias e financiamento europeu (ex: com o Luxemburgo) para viabilizar estes projetos de elevado custo.
4. Principais Intervenientes
O mercado está consolidado com grandes grupos internacionais e fabricantes líderes:
Operadores/Promotores: EDP Renováveis, Iberdrola, e consórcios interessados no offshore como Ørsted e Statkraft.
Fabricantes de Turbinas: Vestas (líder de mercado), Siemens Gamesa e Acciona.
