A Economia Azul e a Soberania: Por que Portugal deveria ter seguido o Modelo Norueguês
por José Velho Gouveia - Portugal
Portugal bem que podia ter seguido a experiência política, económica e social da Noruega e não se ter integrado na União Europeia, embora devesse manter laços estreitos com o bloco e com seus países-membros. Portugal é um país rico. O mito de que Portugal é um país pobre é alimentado por uma classe política que prefere estender a mão à UE em vez de pensar o país com políticas públicas em benefício dos cidadãos a longo prazo com ética de cidadania.
Estarão, porventura, a referir-se à pobreza intelectual e política da classe política portuguesa, clientelar e leopocrata, que sequestra o país há séculos? Bastará tão só ler a “Arte de Furtar”, obra do séc. XVII da autoria do padre jesuíta Manuel da Costa (1601-1667), ou “A Pátria dos Abusos: notas políticas, 1867”, de Eça de Queirós.
Portugal é um país rico. Quando a Economia Azul for levada a sério e uma nova geração de políticos for preparada — e não contingentada apenas aos advogados — teremos uma das maiores riquezas do planeta: a água do mar, que cobre 97% dos 71% da água na superfície da Terra. Apenas 3% da água da Terra é doce e apenas se conhece 25% das potencialidades dos oceanos.
Segundo o Jornal de Defesa e Relações Internacionais (edição de 30 de Setembro de 2003), a ZEE portuguesa tem 1 727 408 km² de extensão geográfica, o que corresponde a 1,25% de toda a área oceânica sob jurisdição de países. Os estudos de extensão da plataforma continental irão atribuir a Portugal a jurisdição de novo território marítimo, acrescentando de 240.000 quilómetros quadrados a 1,3 milhões de quilómetros quadrados, isto é, 14,9 vezes a área de Portugal Continental.
Com este acréscimo, Portugal passará a ter uma área total de 3 877 408 km² (cerca de 40 vezes a área de Portugal Continental, uma área comparável ao território da Índia - o sétimo maior país do mundo), o que fará desta ZEE a 10.ª maior do mundo, maior por exemplo que a ZEE do Brasil com 3 660 955 km².
Porquê olhar para o exemplo da Noruega, um país tão europeu como Portugal? Os noruegueses possuem o segundo maior PIB per capita nominal (depois de Luxemburgo) e o terceiro maior PIB (PPC) per capita do mundo. A economia norueguesa é um exemplo de uma economia mista, um país social-democrata com um estado de bem-estar social capitalista próspero, com uma combinação de atividades de mercado livre e de grandes propriedades estatais em determinados setores-chave.
A Noruega é o 4.º país menos corrupto do mundo e o líder mundial em transparência governamental. A plataforma continental marítima que Portugal possui, se fosse política e economicamente bem gerida, faria de Portugal um dos 10 países mais ricos do mundo. Mas, como disse, viver de mão estendida para a União Europeia e serem os cidadãos das gerações futuras a pagarem o que se pediu emprestado é bem mais fácil.
Os políticos noruegueses possuem, em grande maioria, um alto nível de escolaridade, com uma forte representação de formações na área de Ciências Sociais, Humanidades, Economia e Engenharia. Dados indicam que a grande maioria dos membros do parlamento (Stortinget) detém educação superior (mestrado e doutoramento), sendo uma das classes políticas mais instruídas do mundo, refletindo a alta taxa de escolaridade do país.
