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CIRCULO DO MAR - OS HELICÓPTEROS E A MARINHA DE GUERRA

No dia 2 de Outubro, o Círculo do Mar, em colaboração com o Instituto Bartolomeu de Gusmão, levou a cabo uma sessão subordinada ao tema em epígrafe com o objectivo de dar conhecimento de como foi a evolução da utilização de navios da Marinha de Guerra  Portuguesa como plataforma de helicóptero. Foram convidados como oradores o Coronel Piloto Aviador José Estevinho e o Comandante Jorge Costa e Sousa.

Na apresentação da sessão o Coordenador do Círculo do Mar, Cte. Temes de Oliveira relatou como aconteceu a primeira vez que um navio recebeu a bordo um helicóptero, relembrando que, na Guiné em 4 de Junho de 1964, no âmbito da “Missão Tridente”, um helicóptero Alouette II da Força Aérea Portuguesa, pilotado pelo actual Cor. Piloto Aviador Alexandrino dos Reis, aterrou na FragataNuno Tristão onde, à ré, tinha sido montada uma plataforma provisória. Tendo a experiência corrido de forma satisfatória, seguiram-se, durante o período da Missão em curso, várias aterragens que garantiram movimentações, de e para o navio, de pessoal e material sendo que numa delas transportou para bordo o Ministro da Defesa Nacional, Gen. Manuel Gomes de Araújo.

Seguiu-se a intervenção do Cor. José Estevinho que, em Junho de 1972, foi o piloto que, acompanhado pelo 1.º Cabo Mecânico Francisco Serrano, aterrou um Alouette III da FAP na Corveta Pereira dEça ao largo de Moçambique, nas proximidades de Nacala e Ilha de Moçambique. E nela permaneceu embarcado durante um período de cerca de uma semana, em alto mar, participando numa operação aeronaval que se realizou no Norte de Moçambique. Tal embarque constituiu a primeira vez que um helicóptero AL lll aterrou numa corveta deste tipo operando a partir dela.

A intervenção seguinte foi efectuada pelo Cte. Jorge Costa e Sousa, um dos sete primeiros Oficiais da Marinha formados pilotos de helicóptero na sequência da aquisição das fragatas da Classe Vasco da Gama. A sua formação como piloto decorreu na Força Aérea Portuguesa, em 1991, nos Epsilon da Esq. 101, em Sintra, e nos Alouette III da Esq. 102, em Tancos tendo terminado com o brevetamento dos sete pilotos, em Junho de 1991, na Base Aérea de Tancos.

Permaneceu na FAP durante 2 anos a voar os Puma na Esq. 751 do Montijo até à chegada dos primeiros 2 Lynx MK95, em Agosto de 1993, à Esquadrilha de Helicópteros (EH) entretanto instalada na Base Aérea do Montijo.

Seguiu-se a frequência do primeiro Curso de Conversão ao Lynx MK95, que decorreu de Outubro de 1993 a Dezembro de 1994, tendo culminado com a cerimónia das Deck Landings

a bordo da FRAGAMA em Dezembro de 1994, ao largo de Sesimbra, onde ele e os outros pilotos foram "julgados" pelas aterragens duras que fizeram no convés do navio.

Em 1995, comandou o Destacamento de Helicóptero que pela primeira vez embarcou numa fragata, a Fragata Corte Real, que frequentou o OST (Operational Sea Training) em Inglaterra, e onde foi validado o modelo de formação e treino da Esquadrilha de Helicópteros Portuguesa, desenvolvido com a colaboração da Royal Navy.

Ainda em 1995, embarcou com o seu destacamento na Fragata Álvares Cabral, incorporada na força naval da NATO SNMG1, que desempenhou a função de navio chefe da força naval durante a participação na Operação SHARP GUARD no Adriático. Nesta histórica operação da NATO, foi obtida a confirmação definitiva da completa capacidade operacional da nova aviação portuguesa embarcada, criada menos de dois anos antes.

Após o comando do destacamento de helicópteros, o Cte. Costa e Sousa tirou o curso de instrutor de helicópteros na RAF Shawbury em 1997 (286 QHI Course) e assumiu o cargo de Director do Centro de Instrução de Helicópteros da EH.

A crise político-militar na Guiné-Bissau em 1998 levou à intervenção de Portugal para mediar o conflito num conjunto de operações navais cognominado Operação Crocodilo-Falcão (Junho/Setembro 1998) na qual o Cte Costa e Sousa participou como piloto de helicóptero de reforço do destacamento JURASSIC FLIGHT comandado pelo Cte. Madeira, com 2 helicópteros embarcados a bordo da Fragata Corte Real.

A Operação Crocodilo-Falcão foi o atingir da plena maturidade e máxima capacidade da aviação naval portuguesa, com a participação de 2 fragatas da classe Vasco da Gama com 2 Lynx MK95 permanentemente embarcados durante cerca de 4 meses no teatro de operações da Guiné-Bissau e em Cabo-Verde.

Para ilustração desta operação o orador apresentou vários filmes das operações com helicópteros em terra e no mar, de elevado valor histórico e documental, nomeadamente o filme mostrando pela primeira vez a aterragem de um Lynx MK95 do JURASSIC FLIGHT em cima da torre da peça de 100 mm da fragata Vasco da Gama.

A carreira do Cte. Costa e Sousa como aviador naval culminou com o comando da Esquadrilha de Helicópteros de 2007 a 2010, com três destacamentos de helicópteros (2 embarcados e 1 a partir da EH) que voavam 1125 horas por ano e utilizavam o simulador de Lynx na Holanda de forma muito intensa. Durante o seu comando foi certificada a instalação das metralhadoras M3M a bordo dos Lynx MK95 e foi assinado o contrato de aquisição do cockpit Lynx MK95 no simulador.

Ao terminar a sua apresentação, referiu que a Marinha Portuguesa, como nenhuma outra marinha da NATO, atingiu a Full Operational Capability (FOC) dos seus helicópteros embarcados em 16 meses e operando há 32 anos (25.000 HV) sem acidentes, como a Marinha Portuguesa.